Monday, 7 April 2008

Imagem




Ja falei de Imaginação
E de Poder, sentenças já lavrei
Quero agora falar do Poder da Imagem
Pois diz o provérbio que ela é mais poderosa que mil palavras
Ou uma grande palavra, que não é palavrão não

Por ser tão poderosa assim 
Contenho-me a usar poucas palavras
Pois mesmo as mais eloquentes palavras
Dizem não, querendo dizer sim

Línguas e dialetos
Dá-se conta de milhares
Mesmo aqueles que comungam da mesma
Um simples diálogo, sequer, não se dá por completo

São diferentes perspectivas
De certo ou errado, 
Só diferentes posições
Da mesma Verdade

Este é o problema da comunicação
Mesmo que se fale a mesma língua
Se divida o mesmo quarteirão
Ou cadinho de terra
Duas pessoas não se comunicam
Se a palavra não vier do coração

A língua do coração é o sentimento
Que das palavras se furta
Para fazer da imagem a própria fruta
Que preenche o momento
Em substancioso turbilhão

Este é o propósito da comunicação
Que dois corações ocupem o mesmo espaço
Formando um só
Mesmo que as leis da física
Pelo poder das palavras
Gritem em dircurso sua rejeição

A imagem é a Pangéia original
Mil vozes habitantes em uníssono
Terra da compreensão

Veja bem esta imagem
Da Terra Pangéia
Ela não nos propoe a verdadeira língua?
A língua sentimento, 
Língua da imagem
Imagem de um coração?

Sunday, 30 March 2008

Inspiração


Trecho extraído do filme "A Lenda do Pianista do Mar ( The Legend of 1900)"

Não se sabe quando ela vem
Tampouco quando ela vai embora
Só sei que ela é essencial
Como o sangue que corre em nossas veias
E o cinzel para o ferreiro que a vida forja

Mesmo que seja sazonal
Adoro ser visitado por ela
Imprevisivelmente
Num ímpeto ocasional

Ao menos dela sou transplantado
De um novo ânimo e vigor
Para prosseguir por ela impulsionado

Até que ela volte a bater a minha porta
A trazer novos matizes
Multicolorir a vida
Descobrindo uma nova cor

Poder


Trecho extraído do filme "Escritores da Liberdade (Freedom Writers)"

Amplamente debatido
Desesperadamente disputado
Inúmeras vezes conceituado
Na prática deturpado


O Poder hoje está decapitado
Pois o Poder hoje é ter
Fazer e acontecer
Para aparecer


Corpo sem cabeça
E com o coração infartado
O Poder perdeu a razão
A razão de ser
E sem o coração
Os sentidos para perceber


Que verdadeiramente Poder é Ser
Como a água
Despretensiosa
Inodora
Insípida
Incolor
E talvez por estas naturezas
Ainda insignificantes
O líquido mais poderoso que existe


O poder não está fora
Se Poder é Ser
Ser é Poder
Portanto o Poder está dentro


Para exercer o Poder que vem de dentro
Há de se ter muita coragem
Pois se até o momento temos exercido o Poder de fora
Provavelmente o nosso mundo interno deve estar abandonado
Empoeirado, embrenhado na escuridão e vestido de escura roupagem


Por isso entrar não é tarefa fácil
As janelas estão trancadas
As portas emperradas
As cortinas sujas de ilusão


Fora há um mundo ocupado
Descoberto e dominado
Com o poder do fogo, do ferro e da pólvora
Que constroem e ferem
Assim como o poder da escritura, da voz e da palavra


Terras virgens há de serem descobertas dentro
Com a tenacidade para deparar-se consigo mesmo
Descortinar o novo
Dialogar com o primitivo


Conhecer-se
Descobrir-se
Desbravar-se
Aceitar-se
Encorajar-se
Transformar-se
Revisar-se
Todos são poderes do Ser
De forma contrária, não terminariam com "se"


Não caiamos também na ilusão
Que para Poder Ser há condição
Se isto ou se aquilo acontecer
Pois não há não
Basta Ser para ter o Poder


Por isto este Poder é autêntico
Irrevogável e vitalício
Não há hora marcada
Nem lugar ou tempo ruim
Basta estar vivo
Para exercer o poder de Ser


Ser pequeno como a semente que dá luz ao carvalho
Ser silencioso pois lata cheia não faz barulho
Ser anônimo pois a fama nos cega cada olho


Exercer o poder da insignificância
Ser insignificante
Pois para o insignificante ainda existe a oportunidade
De buscar um novo significado


Significado de um autêntico Ser
Que não vive para Poder
Mas para Poder Ser

Sunday, 16 March 2008

Shanghai


Diferente do Cambodia
Na China
O que se vê de noite
Não se vê de dia
Afinal nem tudo que reluz é ouro

Shangai é China
Mas a China não é Shanghai
Ledo engano

É gigante sim
Impressionante
Mas tem os pés de barro
E uma sombra enorme
Já dizia o Professor Jason

O gigante que se vê é o ouro que reluz
Prédios enormes
Milhares em construção
Tradição: Mandarim em ideogramas
Modernidade: Grifes em monogramas
E o cifrão $ é o monograma da moda

Todavia a sombra é maior que o próprio gigante
Cerca de 70% da população ainda está no campo
Cerca de 40% da população passa grandes dificuldades para não dizer que passa fome
Dizem que vão esperar a torta crescer para depois dividir
A minha dúvida é se haverá fermento suficiente para cozinhar
E a Terra, que é o forno, pode aquecer além do ponto

Por isso, tudo é tão contraditório
Todo mundo quer ser amigo deste gigante
Todo mundo quer falar a mesma língua do gigante
Mas quando o gigante levar um tombo
Tenho dúvidas
Se os amigos estarão por perto para ajudá-lo a levantar
E, principalmente, cuidar dos pés de barro
Para que não sejam substituídos por próteses
Mas que sejam construídos pés verdadeiros
Sobre os quais uma grande nação
Possa caminhar a passos firmes
Com corpo e alma de sua verdadeira tradição
E forte o suficiente para caminhar
Sem tropeçar em sua própria sombra

Cambodia



A vida de cima de um elefante
É diferente
Sorriso de infante
Passos largos e lentos
O Sol a este
Pensamento em revista
A vida em levante


A verdadeira realidade
É singela
É simples
Os pés estão no chão
Com a mente fora da cela


O Cambodia é assim
Sofrido e dolorido
Agora liberto
Todavia ainda reprimido

Todavia eu vi
Que o sorriso não foi preso
A vida não foi exilada
Pois não há pobreza
Na riqueza do homem que tem um sorriso

O Cambodia é assim
Pobre quando se vê só com os olhos
Rico para olhar com o coração
E constatar que a felicidade pode estar logo ali
Para o homem
Que mesmo na dificuldade
Dispõe da riqueza de sorrir

Thursday, 6 March 2008

Imaginação



O que é a imaginação?
Segundo Lauren Bacall, “A imaginação é a pipa mais alta que se pode erguer”.
Para Muhammad Ali,
“O homem que não tem nenhuma imaginação não tem nenhuma asa.”
Pablo Picasso vai além e diz: “Tudo o que você pode imaginar é real”


Ali, Picasso e Bacall se questionaram...
E também pergunto a mim mesmo
Se a tal imaginação é real
É muito improvável que o irreal realmente exista
Tudo é possível
Nada é impossível

Se quem tem asa tem imaginação
Eu ainda estou aprendendo a voar
Ainda não sai do ninho
Por mais que me arrisque algumas vezes
A tombos memoráveis
Mas não páro, continuo sem cessar

A imaginação sendo um par de asas
É como músculos que precisam ser exercitados
Atrofiam, paralisam-se na inércia
Desenvolvem-se, crescem quando excitados

Já que a imaginação é real
Quanto mais vôo, mais real sou
A mesma realeza da águia que de cima tudo vê
Também a realeza do menino, súdito do vento, que empina a pipa
Vê de baixo, pequenino
Que o horizonte, assim como o céu, é infinito

Então vôo, logo existo
Pois pensar não é sinônimo de imaginar
Pensar com a imaginação
É pensar e logo existir
Bastando imaginar para se eternizar

Quero então que os ventos das idéias continuem a bater
Para que eu possa ter a oportunidade de voar
A direção e sentido que for
Para onde ele quer que eu vá

Só não quero brisa fraca
Tempo fechado
Marasmo e friaca

Quero ser biruta
Que funciona quando o vento sopra
Aponta o sentido correto
Rumo certo para o homem que tem asa

Homem que tem asa
Não tem medo de cama
De doença do corpo
Paralisia, frio ou assombração

Homem que tem asa
Voa sem fronteiras
Não nega um mapa
Mas voa, faça chuva, faça sol
Sem medir ou exigir condição

Inspirado na cena acima e no poema abaixo de Ramón Sampedro exibido no filme Mar Adentro de Alejandro Amenábar.

Mar adentro
Ramón Sampedro

Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.

Wednesday, 27 February 2008

Louis Vuitton



Simplesmente chocante
Positivamente surpreendente
Louis Vuitton ter bagagem
Voz, palavra e mensagem
Dou a minha mão a palmatória
E meto a língua entre os dentes

Lata vazia que faz muito barulho
Parece que agora está cheia
O que é uma mala?
Além daquele colega incoveniente?
Ou bolsa de mulher que de cabeça, niente?

De qualquer forma um mensagem interessante
Suscita reflexão
Faz lata cheia a nossa mente
O propósito de vida ressuscita

Mala que carregamos
Bagagem que nos carrega
Viagem que começamos quando nascemos
Jornada que vezes levamos leves e sem excesso
Jornada que as vezes sobrecarrega
E as vezes a própria vida nos extravia

Parafraseando a mala cheia da vez:
"O que é uma jornada?
Uma jornada não é uma viagem.
Não é férias.
É um processo. Uma descoberta.
É um processo de auto-descobrimento.
Uma jornada nos coloca face-a-face conosco mesmo.
Uma jornada não somente nos mostra o mundo,
Mas como nós nos encaixamos nele.
Uma pessoa cria a jornada
ou a jornada cria a pessoa?
A jornada é a vida em si.
Aonde a vida vai te levar?"

Tuesday, 19 February 2008

Enevoado

Para conceituar o que vem a ser Enevoado

Acompanhado, adjetivado ou não

Ella descreve com enevoada precisão

O que é vago sem palavras em vão

Nebuloso sentimento, avoado

Que nos enleva sem tirar-nos do chão

Bastando somente um ato muito simples

Um corriqueiro, enevoado

Nada vago aperto de mão

Inspirado em: Misty (Erroll Garner/Johnny Burke)

Sunday, 10 February 2008

Vocação




Para aqueles que ainda não conhecem o Nelson Freire


Aqui vai uma recomendação


Um documentário* sem precedentes


Que para mim fala sobre o que é Vocação





Ora sozinho


Sozinho ao piano


Com o piano e a orquestra


Com uma grande amiga


Quando tocar é uma oração





A música é a religião


O piano o altar


O som o vigário


As mãos fazem o sermão


E a alma?


Em plena elevação





Somos tais como um pianista


Em carreira musical


Concerto solo na vida


Ora acompanhados de uma orquestra


Amigos com diferentes instrumentos


A fazer harmonia de fundo


Ou a melodia de nosso aprimoramento





Nelson em seu documentário desde os 3 de idade encontrou


O seu amigo inseparável


O seu altar dominical


A tonalidade de sua caminhada


Da capo al fine






Sol maior o iluminou


O Pai lá de cima


E o aqui de baixo Sol menor


Não menos maiúsculo e iluminado


Incentivou





Observem a carta deste Pai


Um pequeno momento do filme


"uma carta"


Mas que pelo menos em mim


Sublime


Marcou a minha alma


E convidou-me a uma reflexão





Sei que na vida estou solo


Na maioria das vezes acompanhado


Falta-me ainda o instrumento


Para arar este extenso solo





A tonalidade é maior


O compasso ritmado


A composição inspirada na musa do amor


Mas qual é a música?


Na dúvida, o meu coração bate sincopado





Por enquanto estou como um jazzista


Sigo em improvisação


Com harmonia sem dúvida


Passos firmes de um passista


Que por vezes perde o compasso


Mas levanta sem exitação





Mas continuo em busca do instrumento


Que fará de mim um grande artista


A tocar música da vida que vem de dentro


Acompanhado do Criador


A obra-prima que se chama Vocação





* Nelson Freire - Um filme sobre um homem e sua música


Diretor: João Moreira Salles

Saturday, 2 February 2008

Maçã



Texto usado no comercial "Think Different" da Apple:

"Here’s to the crazy ones.
The misfits.
The rebels.
The troublemakers.
The round pegs in the square holes.
The ones who see things differently.
They’re not fond of rules.
And they have no respect for the status quo.
You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them.
About the only thing you can’t do is ignore them.
Because they change things.
They push the human race forward.
And while some may see them as the crazy ones,
We see genius.
Because the people who are crazy enough to think they can change the world,
Are the ones who do."

Uma vez fruta mordida
Não há volta
Ultimato irrevogável
Adeus ponto-de-partida

Assim é a nossa relação com a virtude
Semente na alma escondida
Brota inesperadamente
Em um rompante
Sem solucitude

Existe pecado original?
Fruta mordida...
Humanidade condenada
Para sempre marginal?

Acredito que não
O pecado não é nada original
É coisa batida

A virtude sim o é
Nasceu com a gente
Com ou sem negação

Existe sim virtude original
Semente encrustada no coração
De nascença
Seja em homem de bem ou de mal

Para morder desta fruta virtude todavia
O virtudeiro precisa nascer
Desta semente que falei
Até crescer
Por anos, meses, semanas
Noites e dias
Cotidiano contudo sem dia-a-dia

Ainda não vivi o suficiente para ver
Mas nem preciso de muito
Nem muita evidência para crer

Esta semente que está em mim
Assim como em você
Em latente estado
Tem como destino florescer

A minha ainda falta muita água
Muito sol e entardecer
Não sei ainda que árvore será
Um carvalho, macieira, mangueira ou oliveira

Não me pergunte o que serei
Só sei que hoje sou Ferreira
Por enquanto...

Pergunte-me daqui um pouco
Depois de algumas estações
Eu comigo mesmo
Dentro de mim
Em mil incursões

Depois uma excursão
Uma árvore sem precedente
Única
Que muitos frutos dará
Laranja, pera, maçã ou mamão

Que pensa diferente
Age constantemente
Sente sem mente
Com todo coração

Humano com raiz
Árvore alta e frondosa
Nascida de divina semente