Saturday, 25 July 2009
Sunday, 28 June 2009
Horizonte

Thursday, 25 June 2009
Rue


Ao seguir em frente
Ao caminho que nos leva
À esquerda ou à direita
Inevitavelmente
A escolha está à espreita
Encruzilhada então nos rodeia
Aborda, cerca e interroga
Interpela
Quem fica: roga uma nova rota
Quem foge: se atropela
Uma decisão então
Somente uma
Pavimenta nova rua
Reta ou torta, não importa
Quem porta o passo
E busca o seu próprio espaço
Faz das pedras pavimento
Das pernas com tropeço
O compasso de um recomeço
Guilherme Ferreira
Sunday, 21 September 2008
Bibliothèque


École des hautes études en sciences sociales - 16/09/2008
Não é a toa
Sabor vem de sapore
Saber de sapere
Ambas palavras de mesma origem no latim
Explicam-me algo que até então era irracional para mim
Não há saber que não é construído com sabor
Assim como não se saboreia a vida sem um pouco de saber
A biblioteca desta forma é um grande centro gastronômico
Lá se encontram todos os ingredientes necessários para uma vida melhor
Todavia os ingredientes precisam de quem os prepare
Corte-os, cozinhe-os, conserve-os
Precisam também de uma panela, fogo e a medida certa
Receita individual que cada chef constrói para si
Na condição de aprendiz de cozinheiro
Visitei a cozinha de grandes chefs
Saboreei ingredientes que não conhecia
Cheiros, texturas, cores, sabores...
Amargo, doce e salgado
O desafio, entretanto, é o que fazer com tantas especiarias
Que não fiquem só conservados na cabeça
Que sejam temperados no coração
E misturados pelas mãos
No caldeirão diário da vida
Guilherme Ferreira
Tuesday, 5 August 2008
Bolero
Não é a toa que muitos compositores possuem a própria versão: Ravel, Chopin e também Vicente Amigo que podemos assistir neste vídeo. Daí me pergunto o porquê, podendo chegar a conclusão que o bolero possui exatamente esta magia de sequestrar a mente por alguns instantes e nos levar para territórios desconhecidos. Sendo esta magia uma das virtudes da música, daí se dá a escolha destes compositores por este ritmo lento e hipnotizador. Este bolero (de Vicente), em particular, foi dedicado a um dos filhos de Vicente Amigo, por seu nascimento. E como por coincidência, ou talvez intencionalmente, ele me transporta para muitos lugarejos diferentes que fazem parte de uma mesma vizinhança que posso classificar como Paternidade.
Paternidade, 10 de Agosto de 2008
Lugarejo onde mora a ternura
Um outro (lugarejo) da atenção a distância, mas não distante
E assim por diante...
Autoridade que educa, mas não machuca
Colo que protege e aquece, chama que não queima
Palavra assertiva que acerta direto o coração
Olhar que cala sem falar nem gritar
Conselho atestado pela experiência
Ainda estou um pouquinho longe desta vizinhança
Um dia, não muito longe, com certeza
Irei a paternidade habitar
E talvez brote a inspiração para um bolero
Como este, de Vicente
Para a alegria de ser pai registrar
Sentimento que faz do homem mais homem
Mais decente
Pois amplia a capacidade de amar
E de admitir ser amado
Guilherme Ferreira
Sunday, 15 June 2008
Muralha

Beleza que os olhos dissolve
Perde-se de vista no horizonte
Pretensiosa para dividir o bem e o mal
Fortaleza que conflitos não resolve
Eterna para maravilhar
Que a chuva incessante não me barrou
Visão lacrimosa, fez lento o meu palmilhar
O céu, sim, parece que se rebaixou
Nuvens descendo em marcha
Em caravana para a este monumento se curvar
A guia a me guiar me disse:
Não adianta, único lugar que não tem começo
Não tem ponto-de-partida nem de chegada
Com incessante caminhar
Não chegaremos a lugar algum
Sim, a um ponto no meio do caminho
- Gui, você escolhe onde é o seu fim
Então caminhei
A chuva caiu, para testar a ambição
De tabela, também, veio misericordiamente
com gotas gordas a me refrescar
Empolgado e ensopado, galguei cada degrau
- Thi, tá faltando tênis com shushi na meia-noite, não?
Pensei...
O fôlego, então, aos poucos desfaleceu
O ânimo paulatinamente se esvaiu
Cansei, encontrei o meu fim
Humildemente, parei sem me boicotar
Até o momento
Pois a vida não acaba assim, nem ali
Cume, parada final
Dali, não pude ultrapassar
Uau, ufa, surreal
Paisagem intocada
Mas cheira a tinta fresca
Tela que parece que pintada por Dalí
Parei meu palmilhar
Os pés trêmulos de tanta fatiga
Restou-me a minha própria respiração escutar
Sentar, contemplar o cenário de cima da muralha
E, em meditação, me elevar
Naquele momento
Unicamente, a muralha se encontrava acima das nuvens
O meu encontro com o divino,
ela, de caso pensado, pretendia facilitar
E uma mensagem, sutilmente
Aos pés de meus ouvidos soprar:
Não há muralha maior que esta
Senão aquela que há dentro de você
Que lhe deixa inseguro
Ansioso ou em cima do muro
Muralha que separa o homem velho do homem novo
Que guerreiam em seus lados opostos, murro após murro
Muralha que criamos para nós mesmos
com desnecessária imaginação
Mas muralha quebrantável
Por um único desejo
Inalienável e verdadeiro
Bem intencionada
Forte, extensa e grandiosa
Ação
Guilherme Ferreira
Thursday, 22 May 2008
Confuso

Confuso ou sem fuso
Um nó em minha cabeça
Miolos em ponto de fusão
Um quebra-cabeça que falta peça
Coerência que está fora de uso
Neste mundo de tanta contradição
7 dias de combustão e refrigeração
Claro que fora do fuso
Corpo fora de hora
Em um dia, dourar no calor até derreter
No outro, sentir frio com e sem calefação
Provas de caráter
Em meio a tanta confusão
Onde as idéias perderam o seu estado
Seja líquido, sólido ou gasoso
E o amor e a justiça, pelo o correr da carruagem,
Parecem que estão em longo processo de condensação
Dia um e dois
Fila da fome, da sede e da necessidade
Mas também da simples felicidade
De dar o amor de que se tem
Sem se perguntar como, onde ou a quem
Onde?
Fronteira da Tailândia com Mianmar
Onde ainda se encontram fronteiras para a convivência
Mas também o amor sem fronteiras
Aquela capacidade de amar com tolerância
Dia três, quatro e cinco
Horas na fila de embarque, desembarque e imigração
Onde?
Estado maior da atual humanidade
Que vive da ilusão do poder de se ter
Sem saber que não é assim que se constrói uma civilização
Prédios altos do tamanho da arrogância
Totens de ilimitada ostentação
Tamanho também do tombo de um império
Que se não pensar melhor a sua desmedida ascensão
Entrará em franca decadência
Sem volta
E como o Romano
Que tinha tudo para dar certo
Mas perdeu-se
Uma pena, uma perdição
Dia seis e sete
Parada para a fila do café e da baguete
Um pouco de mal humor e lábios “bufantes” de vez em quando
Não fazem mal a ninguém pois são inofensivos
Só escondem um coração de amor em estado “bafejante”
Lugar mais bonito ainda não conheci
Onde se respira muita arte e história viva
Para fazer da própria vida uma arte
E da arte a própria vida
A busca incessante de uma estória com final feliz
A idéia deste conceito?
Fuso, confuso ou sem fuso
Não é minha não
É de um amigo que encontrei pelo caminho
Olivier
Agradável coincidência
Que junto com a Clodete
Espero um dia voltar a ver
Au revoir, à bientôt, a tout à l’heure
Filas da vida que encarei em uma semana
Apesar do fuso, confuso e um pouco de confusão
Descobri que todos os lugares possuem uma ligação
Apesar de serem lugares opostos
Em com diferentes localizações
O ser humano é o mesmo
Ser que busca o seu melhor
Percebi também que há de se olhar diferente
Ver a vida em suas diversas expressões
Olhar no fundo da alma, além da aparência
Pobre ou rica
E encontrar uma bela convergência
Uma ponte
Que só pode ser construída sem urgência
E com muita paciência
Pois o amor
Se constrói tijolo a tijolo
A cada fila de espera que passamos pela vida
Em todos os lugares
Mesmo rapidamente em uma semana
Em somente 7 dias
Seja onde for!
Sunday, 16 March 2008
Shanghai
Diferente do Cambodia
Na China
O que se vê de noite
Não se vê de dia
Afinal nem tudo que reluz é ouro
Shangai é China
Mas a China não é Shanghai
Ledo engano
É gigante sim
Impressionante
Mas tem os pés de barro
E uma sombra enorme
Já dizia o Professor Jason
O gigante que se vê é o ouro que reluz
Prédios enormes
Milhares em construção
Tradição: Mandarim em ideogramas
Modernidade: Grifes em monogramas
E o cifrão $ é o monograma da moda
Todavia a sombra é maior que o próprio gigante
Cerca de 70% da população ainda está no campo
Cerca de 40% da população passa grandes dificuldades para não dizer que passa fome
Dizem que vão esperar a torta crescer para depois dividir
A minha dúvida é se haverá fermento suficiente para cozinhar
E a Terra, que é o forno, pode aquecer além do ponto
Por isso, tudo é tão contraditório
Todo mundo quer ser amigo deste gigante
Todo mundo quer falar a mesma língua do gigante
Mas quando o gigante levar um tombo
Tenho dúvidas
Se os amigos estarão por perto para ajudá-lo a levantar
E, principalmente, cuidar dos pés de barro
Para que não sejam substituídos por próteses
Mas que sejam construídos pés verdadeiros
Sobre os quais uma grande nação
Possa caminhar a passos firmes
Com corpo e alma de sua verdadeira tradição
E forte o suficiente para caminhar
Sem tropeçar em sua própria sombra
Cambodia
A vida de cima de um elefante
É diferente
Sorriso de infante
Passos largos e lentos
O Sol a este
Pensamento em revista
A vida em levante
A verdadeira realidade
É singela
É simples
Os pés estão no chão
Com a mente fora da cela
O Cambodia é assim
Sofrido e dolorido
Agora liberto
Todavia ainda reprimido
Todavia eu vi
Que o sorriso não foi preso
A vida não foi exilada
Pois não há pobreza
Na riqueza do homem que tem um sorriso
O Cambodia é assim
Pobre quando se vê só com os olhos
Rico para olhar com o coração
E constatar que a felicidade pode estar logo ali
Para o homem
Que mesmo na dificuldade
Dispõe da riqueza de sorrir