Monday, 29 December 2008

Agora

Agora que já passou neste segundo
Segundo que não fara viagem de volta
Pois comprou uma passagem de ida
Para o Ontem que longe se encontra

Agora que passa muito rápido
Da o seu lugar para outro momento
Que também se chama Agora
Homônimo sem registro em cartório
Mas registrado nas batidas do relógio de cada oratório

O Agora busca sempre o Amanha
Que escapa-lhe entre os dedos
O Amanha sempre observa o Agora
Buscando os seus proventos

O Ontem, de vez em quando
Tenta voltar de sua viagem sem volta
Regressa quando a Culpa o chama
Comprando-lhe um ticket de primeira classe

Todavia, a Culpa retorna somente quando e convidada pelo Remorso
Mas e despachada quando o Arrependimento bate as portas da Consciência

O problema e a Inconsciência
Que insiste em ficar
Pois acompanhada de Ontem
Insiste em nos anestesiar

O Amanha pode ajudar
Uma vez que os sonhos produz
Entretanto pode atrapalhar
Quando a Ilusão nos seduz

Então prefiro ficar com o Agora
Pois junto com ele esta a Consciência
Que nos convida diariamente
Para desfrutar
Intensamente
E com prudencia
Os diferentes presentes da vida

Guilherme Ferreira

Wednesday, 24 December 2008

Natal


Natal em familia - Brisbane/Australia

Para mim não existe celebração mais especial

Pela qual espero o ano inteiro

Para reunir-me com a família sob um sentimento único


Reencontrar-me com uma humanidade que perdemos facilmente


Diariamente quando buscamos o “normal”




Assim é o Natal


Ainda por muitos enganado


Longe de sua real natureza


Digo o Natal verdadeiro


É dado por anormal




Todavia,


O símbolo que deveria ser celebrado


Esquecido


É ocultado por perus, embrulhos adornados, conversas vazias


Que duram nem um dia


Vão para o lixo


As palavras saem dos ouvidos da mesma forma que entraram


E os restos descem pelo ralo da pia




Entretanto


Posso dizer-me um privilegiado


Pois o meu Natal é anormal


Para dizer mais, é paranormal


Pois entro em contato com uma alegria


Satisfação, júbilo e elevação


Que me acompanharão por mais de um dia


Alimentarão o meu espírito


Pelo menos pelos próximos 365 que estão por vir


Ate o próximo Natal

Tempo para nova renovação


Guilherme Ferreira

Legadema



Legadema: em Sewswana: luz que vem do céu



A natureza e os seus mistérios
Que não precisam de oráculo, ou de acelerador de partículas, para serem desvendados
Somente os olhos para ver e o coração para sentir
Que o amor, em sua simplicidade, não é um conceito meramente humano
Todavia um sentimento universal que não precisa de cérebro, pensamento ou palavra articulada
Nem a urgência da necessidade
Somente a instintiva premência da convivência
Que mesmo com as diferenças não é lunática utopia
Mas realidade que nos chama no calor do agora
Quando nos despimos do Eu que nos entorpece
Para nos unirmos a um outro Eu em humilde sinergia

Guilherme Ferreira

Monday, 15 December 2008

Woon


Warittinha

Just a few words I know in Thai
To say hi, I would say Sawadee khrub
For some orientation: Throm pai, leu qua and leu sai
Chai khrub, if I want to say yes, of course!

Mai dai, if there's no way around.
Cha cha my friend, please slow down
Leu leu, I am late - please fly!
Sabai dee mak hrub?
That's the question you need to ask to yourself after taking a ride

Hahaha khrub, because khrub goes with everything
I want pad thai na khrub - ma pet, please!
Where's the restroom na khrub?
Tini leu sai na khrub
The book is on the table na khrub
A sentence without na krub, it's like rice without beans
For Tina it is: do you know what I mean?
Definitely na khrub is the thing...na khrub!

Then comes the well known "jeitinho tailandês"
Mai pen rai! Sabai sabai!
This is to say: never mind, tá tudo certo!
Dee mak mak, very good...
Just wait... ai ai ai

Con phu thai dai nick noi, na khrub
This is all the thai that I know
Just a little that´s not enough
To say what this picture can say
Differently, I would need much more than a thousand words
In Portuguese, Spanish, English or Thai
Or in a nutshell:
Kop khun khrub
Kun nee yort leui, soo-ay mak mak!


Guilherme Ferreira

Thursday, 27 November 2008

Tuesday, 11 November 2008

Encontro



Fascinei-me com este encontro do bolero com a musicalidade cubana de Bebo Valdes, a poesia de Vinicius e o cante flamenco de Diego El Cigala. Lagrimas Negras e o ultimo disco produzido por Bebo e Cigala onde fundem o melhor de suas heranças musicais. Esta obra de arte, que toca diretamente a alma a primeira escuta, me inspira a fazer uma breve reflexão sobre o poder do encontro.


Encontro inesperado

Que acelera a pulsação

Encontro marcado

Que paralisa a respiração


Encontro de idéias afins

Que saltitam à flor da pele

Encontro de idéias dissonantes

Que se repelem


Encontro arranjado

Que não há como recusar

Encontro premeditado

Que não há como esperar


Encontro com o outro

Que exige tolerância

Encontro consigo mesmo

Que pede paciência


Encontro com a morte

Que nos faz renascer

Encontro com a vida

Que nos move a crescer


Encontro com o passado

Que seqüestra o agora

Encontro com o futuro

Que o presente devolve


Encontro com a alegria

Que arranca risadas

Encontro com a tristeza

Que arranca lágrimas refrigeradas


Encontro com o amor

Que nos tira do chão

Encontro com o desamor

Que nos pede uma ação


Encontros

Tão escassos

Mas tão necessários

Pois um mundo sem encontros

É um mundo desencontrado

Desajustado

Desumano



Guilherme Ferreira

Sunday, 26 October 2008

Riqueza


Eduardo Giannetti da Fonseca - para a Folha de S. Paulo

Brilhante analogia que faz o Eduardo Giannetti sobre a atual crise financeira que vivemos. Traz também uma outra reflexão sobre uma outra crise: a que Riqueza devemos centralizar as nossas vidas? A financeira ou a humana? Confira o vídeo, é de uma simplicidade profunda.

Guilherme Ferreira

Saturday, 25 October 2008

Anônimo

Alguém sem nome
Estranho, eterno e sem idade
Perdeu a própria identidade
Desconhecido e procurado por ninguém
Foi exilado em seu próprio esconderijo

Invisível aos olhos que a ilusão comeu
Espreita-se em fajuta camuflagem
Foge de si mesmo
Faz-se refém em sua própria casa
Prisão domiciliar de portas abertas e escancaradas
Com sentinelas fracos e desarmados

Procura-se este homem
Reprimido pela própria inconsciência
Réu inocente que foi encarcerado em seu próprio tribunal
Subjulgado e deixado de lado às traças injustas que não podem dissolvê-lo

Não age segundo nenhuma hipócrita conveniência
Bento, purificado e desnudo da corrupção
Veste-se de decência
Que na maioria das vezes é saber dizer não

Este anônimo que não é lobo
É persona non grata em própria jurisdição
É o homem que contradiz Hobbes
Aquele outro Eu que quer fazer bem

Mas, desconhecido de nós mesmos
Torna-se anônimo, por nossa petição
Escondido, espera o momento libertador
Habeas corpus
Do próprio corpo, justa reconstuição

Este homem pede para tomar posse
Animus retinendi possessionem
Posse clandestina até então
Agora: legítima por direito e concessão

Um outro Eu renasce
Absolvido pelo juri da própria consciência
É recebido de braços abertos
Seja bem-vindo
Verdadeiro
Eu mesmo

Guilherme Ferreira

Sunday, 19 October 2008

Recomeço

Agora
Este momento
Aqui
Neste lugar
Recomeça-se

Um momento termina
O destino final chega
Um novo ponto-de-partida floresce
Um novo segundo renasce

Em um piscar de olhos
A luz ilumina rapidamente
Pisca-se mais uma vez
Por um segundo têm-se a ilusão da escuridão
Que se ilumina novamente com os olhos novamente abertos

E assim o ciclo se repete
Entre luz e escuridão
Olhos abertos e fechados
Entre o silêncio e o som
O tudo e o nada

A vida constantemente recomeça
Nos deixando a ilusão que já passou
Mas não
Só começou

Estou descobrindo que este negócio que se chama felicidade
Está na gratidão de poder recomeçar
Aceitar a estaca zero
Que todo o amanhecer tem a nos oferecer

Guilherme Ferreira

Sunday, 5 October 2008

Rehearsal


La Cumparsita Rehearsal - 07/2008

Life is an endless rehearsal
A lengthy drill
Which stage is universal
A play, opened to be written, if you will

Repeatedly unexpected
Hurdles may arise at the spotlight
However, the performer,
Once is freed from his own shadow,
Rakes over the weed
Defying the darkness at the frontstage

Differently at the backstage
You may find a fearful fool
Avoiding to put his stardom at stake
Hesitant to run through the scene
Does not dare to make a mistake

In order to stand up to any stage
And to get to the extra mile
The singer sometimes is off key
The actor ruins the script
The dancer loses the step
They all must take the risk

Hence, I repeat aloud to myself
I go over every day again and again
As it were a dress rehearsal
I put on my apprentice on scene
Hoping one day to perform a masterpiece


Guilherme Ferreira